sábado, 11 de julho de 2009

Cientistas apresentam novo método de medir CO2


Em uma proposta que facilitaria acordos internacionais, pesquisadores de Princeton sugeriram um modelo que utiliza os indivíduos e não as nações como base para determinar metas de redução de gases do efeito estufa.

A reunião do G8, que conta também com a presença das principais nações em desenvolvimento, como o Brasil, ocupa as manchetes dos jornais mundiais não por suas grandes decisões, mas por causa do impasse entre ricos e pobres sobre como evitar os piores efeitos das mudanças climáticas.

Liderados pelos Estados Unidos, os países desenvolvidos concordaram em um corte de 80% das emissões de dióxido de carbono (CO2) em 2050, mas a proposta só será assinada se China, Índia e Brasil também aceitarem metas de redução. Porém, isto exigirá muitas negociações, já que estes países argumentam que um corte de emissões significaria a estagnação do seu crescimento econômico.

Talvez o primeiro passo para a solução desse dilema possa ser o novo método de medir as emissões mundiais desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, que utiliza um principio de equilíbrio baseado nas “responsabilidades comuns, porém diferenciadas” de indivíduos, e não das nações.

O método foi apresentado no artigo “Sharing Global CO2 Emissions Among 1 Billion High Emitters”, algo como “Dividindo as Emissões Globais de CO2 entre 1 bilhão de Grandes Emissores”, publicado nesta semana no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. Entre outras coisas, o método possibilita que os três bilhões de pessoas mais pobres do planeta sigam utilizando combustíveis fósseis sem que isso prejudique o combate ao aquecimento global.

A proposta sugerida por eles é de usar emissões individuais para calcular as responsabilidades das nações no controle dos gases do efeito estufa (GEEs). Atualmente algumas estratégias para medir emissões utilizam o consumo de energia, o que é considerado injusto pelos autores porque disfarçaria as emissões das pessoas mais ricas de um país ao colocar elas juntamente com os pobres.

“Nosso método vai além de considerações per capita para identificar os grandes emissores, que na realidade estão presentes em todos os países”, afirma o time de pesquisadores, que inclui especialistas de diversas disciplinas ligados ao Instituto de Meio Ambiente da Universidade de Princeton, como o físico Shoibal Chakravarty, o economista Massimo Tavoni e os professores Stephen Pacala, de Ecologia e Biologia Evolucionária, e Robert Socolow, de mecânica e engenharia aeroespacial.

“A maior parte das emissões mundiais vem de cidadãos ricos ao redor do mundo, independente de sua nacionalidade”, afirmou Chakravarty. Segundo o pesquisador, as emissões vêm de estilos de vida que incluem viagens de avião, uso de automóveis e aquecimento de grandes residências. “Nós estimamos que em 2008, metade das emissões mundiais foram oriundas de apenas 700 milhões de pessoas.”

Os pesquisadores deram um exemplo de como o modelo funcionaria na prática: se, por exemplo, os governos concordassem que os níveis de emissões em 2030 devessem ser os mesmos de hoje, isso seria alcançado com um teto anual de 11 toneladas de CO2 por indivíduo. Nesse caso, um bilhão de pessoas seriam consideradas grande emissoras, numa população mundial de 8,1 bilhões. Atualmente, os europeus produzem 10 toneladas de CO2 por ano e os americanos, 20.

“Esses números reforçam nossa convicção de que os países industrializados devem tomar a liderança nas discussões para reduzir as emissões, porém a luta contra as mudanças climáticas deve ser de todos”, afirmou Ottmar Edenhofer, especialista em Economia de Mudanças Climáticas da Universidade Técnica de Berlim e membro do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC).

Redução com crescimento econômico

A pesquisa mostra também que é possível combater o aquecimento global ao mesmo tempo em que se reduz a pobreza. Os autores calcularam que permitir que os três bilhões de pessoas mais pobres do mundo satisfaçam sua demanda de energia consumindo combustíveis fósseis, não interferiria nas metas de redução internacionais. O limite para essas pessoas seria mais brando, pois seria compensado por um limite mais rigoroso para os ricos.

Dessa forma, o artigo vem em uma boa hora para quebrar o impasse entre as nações sobre um acordo climático mundial. “Nas próximas décadas, políticas internacionais deverão acomodar as particularidades de países em desenvolvimento, cuja renda per capita disfarça a existência de grandes populações pobres e pequenos grupos muito ricos dentro da mesma nação”, esclareceu Socolow.

Este novo modelo de medição faz parte da Iniciativa de Mitigação de Carbono, baseada na Universidade de Princeton, que tem como objetivo fornecer suporte científico e tecnológico para pesquisas ambientais que resultem em um mundo mais seguro e com soluções efetivas e baratas para as mudanças climáticas.

Os pesquisadores da iniciativa foram também os responsáveis pela criação do conceito de “stabilization wedges”, uma estratégia que propôs maneiras concretas de prevenir o aumento de emissões globais de GEEs nas próximas décadas. Esse conceito foi mostrado com destaque no filme “Uma Verdade Inconveniente” do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore.
Fonte: Carbono Brasil.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

CMRR capacita profissionais para a gestão integral de resíduos sólidos

Olá galera, recebi uma sugestão de post da Thamires Andrade sobre o Centro Mineiro de Referência em Resíduos(CMRR), que, como ela mesma explica, promove a disseminação, informação e capacitação de municípios, empresas e cidadãos para a gestão integrada de resíduos. Um dos exemplos práticos dessa atuação é a formatura de cerca de 100 jovens, que acontece nesta semana, nos cursos de Gestão e Negócios em Resíduos e de Montagem, Manutenção e Recondicionamento de Computadores. Com isso, além de potencializar o papel do jovem na melhoria da qualidade socioambiental, também amplia a geração de trabalho e renda no estado.

Nesta semana, o Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR) forma cerca de 100 alunos dos cursos de Gestão e Negócios em Resíduos e de Montagem, Manutenção e Recondicionamento de Computadores (3RsPCs). Os cursos são gratuitos e buscam potencializar o papel do jovem na melhoria da qualidade socioambiental, além de ampliar a geração de trabalho e renda.

Dividido em quatro módulos, o curso de Gestão e Negócios em Resíduos prepara os estudantes para o mercado de trabalho, assim como para a organização e administração de seu próprio negócio a partir de resíduos domésticos (papel, plástico, madeira, metal e compostagem), específicos (de serviços de saúde, de construção civil, de postos de combustíveis, de supermercados) ou especiais (pneus, lâmpadas, pilhas e baterias).

Formada em Gestão de Resíduos, Denise Silva Chaves, 18 anos, é responsável pela gestão de resíduos e qualidade em obras da Santa Bárbara Engenharia. “Durante o ensino médio tinha muito receio do que eu iria fazer quando formasse no 3º ano. Hoje, com o que eu ganho, posso investir na minha formação. Faço o curso técnico em edificação no Senai. Meu próximo passo é formar e prestar vestibular para engenharia”, conta.

Já no curso de Montagem, Manutenção e Recondicionamento de Computadores (3RsPCs), os jovens aprendem a montar e desmontar computadores, o funcionamento de cada peça, e também freqüentam aulas de empreendedorismo e empregabilidade. O material utilizado durante as aulas é proveniente de máquinas não mais utilizadas pelos órgãos do Governo de Minas. Após o recondicionamento, os computadores são destinados a programas de inclusão social de comunidades carentes.

Márcio Vinícius Magela, 18 anos, finalizou em dezembro do ano passado o curso 3RsPCs. O garoto trabalha em uma empresa de informática e já se prepara para prestar o vestibular para o curso de Ciências da Computação. “Hoje tenho o diferencial de saber sobre reciclagem de computadores. Procuro passar para meus colegas as coisas que aprendi no curso”, comenta Magela.

Sobre o CMRR:

Iniciativa pioneira do Governo de Minas Gerais, o Centro Mineiro de Referência em Resíduos trabalha há dois anos com o objetivo de apoiar os municípios, empresas e cidadãos na gestão integrada de resíduos, por meio da disseminação de informações e capacitação técnica, gerencial e profissionalizante, visando à geração de trabalho e renda e à melhoria da qualidade de vida.

Sua atuação concentra-se em cinco áreas prioritárias: Apoio à gestão municipal de resíduos, Qualificação profissional; Comunicação e Informação; Pesquisa e Desenvolvimento; Educação ambiental e eventos (seminários, palestras, debates e oficinas, com foco no consumo consciente).

Localizado em Belo Horizonte, o espaço conta com auditório, biblioteca, área para realização de cursos e uma cozinha experimental, criada para orientar sobre redução do desperdício, reaproveitamento, reciclagem, tecnologia de alimentos e ações que envolvem o preparo de produtos úteis ao consumo da população. Possui ainda um espaço permanente para exposições, consolidando-se como um espaço múltiplo para o cumprimento de sua missão

Mais informações:

http://www.cmrr.mg.gov.br/ - Site oficial do centro

http://www.youtube.com/watch?v=bzdNWQUevvQ&feature=channel_page
- CMRR fez 2 anos. Entrevista com especialistas e ex-alunos

quinta-feira, 9 de julho de 2009

EcoVision Festival 2009

O ECOVISION, é um Festival Internacional de Meio Ambiente e Cinema, sendo hoje o principal evento do gênero na Europa, no qual são apresentados documentários de cineastas e videomakers produzidos em vários países e que tratam da temática ambiental.

JUSTIFICATIVA

Desde o início da Revolução Industrial, quando homem descobriu formas de trabalho mecanizadas, muitas tecnologias foram desenvolvidas, expandindo a produção e aumentando as emissões de gases de efeito estufa. Dessa forma, grandes centros urbanos industriais foram se abrindo, alterando as áreas de cobertura vegetal, retirando o habitat natural de muitas espécies animais e degradando, de forma brutal, as áreas de preservação ambiental.
Essas mudanças modificaram o ecossistema do planeta e causam uma série de problemas que afetam o clima de todos os hemisférios, como tempestades de chuvas, inundações, derretimento acelerado de geleiras, ventos, furacões, aquecimento global, e demais situações que hoje vivenciamos em todo o mundo. Compreendemos que o ambiente natural do planeta está à beira de um colapso e que precisamos sensibilizar homens e mulheres para essa tragédia que se anuncia, mas que não estamos dando a devida atenção.
Neste sentido, foi criado em Palermo na Sicília o ECOVISION, um Festival Internacional de Ambiental e Cinema, onde filmes dos mais diversos países mostram como andam as relações dos homens com o seu meio ambiente.
Sendo o Brasil um dos países de maior biodiversidade e possuidor de grandes áreas ainda intocáveis precisamos despertar na população uma tomada consciência quanto a importância da preservação do meio ambiente e de um desenvolvimento sustentado. Visando despertar o assunto meio ambiente para um grande número de pessoas estamos trazendo o ECOVISION Festival para ser também realizado em Fortaleza. Mostrando através de documentários os problemas que se deparam certas comunidades e países procuramos assim, que através da tomada de consciência tenhamos condições de evitar possíveis semelhanças.
Propomos, assim a realização do ECOVISION - Mostra Internacional de Meio Ambiente e Cinema (Palermo – Fortaleza) por tratar-se da criação de um espaço de exibição de conteúdo cinematográfico de temática ambiental, com vistas a sensibilizar ao público para as questões ambientais que nos afetam contemporaneamente, construindo um espaço de discussão da temática ambiental na cidade de Fortaleza.

OBJETIVOS

Objetivo geral

Realizar o Ecovision - Festival Internacional de Meio Ambiente e Cinema (Palermo - Fortaleza) que aborda o tema ambiental em Fortaleza, no período de 18 a 24 de julho 2009 no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Objetivos específicos

- Fomentar a produção audiovisual documentarista que tem como tema o problema homem meio-ambiente
- Discutir o desenvolvimento eco sustentável, e os diferentes conceitos de meio ambiente entre ricos e pobres.
- Promover o conhecimento e contribuir para a difusão de filmes realizados por diretores que saibam tratar temas com sensibilidade e representar ao mesmo tempo momentos de inovação de autentica pesquisa lingüística, formal e artística.
- Favorecer intercâmbios com as outras áreas da cultura mundial.
- Ser uma atração cultural para os cearenses e visitantes de Fortaleza


Para ulteriores informaçoes :

  • E-mail: info@ecovisionfestival.comIndirizzo e-mail protetto dal bots spam , deve abilitare Javascript per vederlo
  • irenechiazzese@ecovisionfestival.comIndirizzo e-mail protetto dal bots spam , deve abilitare Javascript per vederlo
  • Diretor: danieleottobre@ecovisionfestival.comIndirizzo e-mail protetto dal bots spam , deve abilitare Javascript per vederlo

quarta-feira, 1 de julho de 2009

MMA vai fortalecer articulação dos estados contra desmatamento

A ministra interina do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, alertou nesta terça-feira (30) os nove representantes dos governos estaduais da Amazônia Legal, reunidos em Brasília para discutir o acesso aos recursos do Fundo Amazônia e os planos estaduais de combate ao desmatamento, que o ministério não vai apoiar projetos pontuais de estados e municípios. "Não haverá espaço para ações desarticuladas", afirmou. A posição do MMA não afeta a autonomia de cada estado, nem exclui as soluções específicas, mas privilegiará a negociação coletiva.

Ela chamou a atenção para o que considera "os três maiores desafios para o combate ao desmatamento": os planos estaduais, as soluções comuns e a articulação com a sociedade, estados, municípios e governo federal. Izabella disse que o Sistema Nacional de Meio Ambiente, que agrega todas as esferas de governo e o movimento social, será retomado e fortalecido até o final da atual gestão. Segundo ela, "é preciso formular propostas estruturantes, que não mudem quando mudarem os governos", o que só é possível com uma ação coordenada.

O elo comum, apontado pela ministra, é o fim do desmatamento ilegal. Há, segundo explicou, uma nova orientação do Ministério do Meio Ambiente. Os estados terão que se articular, de forma rápida e eficiente, para apresentar um plano estadual de mudanças climáticas, enquadrado à realidade individual de cada um, mas moldado de forma integrada. As ações precisam ser tomadas de forma coordenada e os resultados aferidos segundo um novo processo, focado na mudança do modelo econômico com soluções sustentáveis.

Para Izabella, "há um esgotamento do modelo tradicional de gestão" dos recursos aplicados na política de combate ao desmatamento. Um exemplo é o próprio Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES, que funciona de forma oposta ao sistema de aprovação de projetos pontuais e repasse de recursos para execução a partir de convênios. O financiamento dos projetos seguirá regras que se aplicam a qualquer outro tipo pelo banco e a contrapartida, o resultado esperado, será aferida. Ela chamou a atenção para o rígido controle social que deve pautar os gastos públicos na gestão ambiental. Questionada sobre os mecanismos de pagamentos por serviços ambientais, afirmou que "não é um arranjo institucional fácil" e "não há ainda o que se possa considerar uma posição de governo", que deverá surgir da articulação proposta.

Citando as cadeias de sociobiodiversidade e o Programa de Áreas Protegidas da Amazônia, o Arpa do MMA, Izabella disse aos representantes dos estados que a nova orientação exige o resgate do diálogo com os setores responsáveis pelas políticas sociais e de desenvolvimento, dentro e fora da estrutura do estado. Para ela, "as ações têm que ser discutidas com todas as vertentes econômicas e sociais". A secretária defendeu "uma visão mais ampla do movimento social", que requer a ampliação das discussões para vários setores, mesmo aqueles que não estão incluídos entre os interlocutores tradicionais da área ambiental. A Contag, que já assinou acordo com o Ministério do Meio Ambiente em defesa da agricultura familiar, e a Central Única dos Trabalhadores, que está negociando a qualidade ambiental e a saúde dos operários com o MMA, são exemplos da nova posição.

FONTE: http://www.meioambiente.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&idEstrutura=8&codigo=4897