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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Fuligem responde por um terço do aquecimento global

A fuligem que sai dos escapamentos, das usinas termelétricas e das queimadas florestais responde por aproximadamente um terço do aquecimento global líquido. Amenizar o calor que ameaça ecossistemas e a biodiversidade, portanto, pode ser mais fácil e mais barato do que se imagina, afirmam pesquisadores.

Novas estimativas, feitas por vários grupos de pesquisa, estimam a importância de controlar o chamado carbono negro, fruto de qualquer processo de combustão.

A fuligem integra a classe dos aerossóis, partículas cujo papel no aquecimento e no resfriamento do planeta durante o século 20 é uma das principais incertezas do relatório do IPCC, o painel do clima da ONU. Agora os pesquisadores começam a diminuir essa incerteza.

"Em São Paulo, a maior fonte desse poluente é a frota de ônibus a diesel", diz Paulo Artaxo, físico da USP (Universidade de São Paulo), e membro do IPCC.

Nas contas feitas pela equipe do cientista, a capital paulista tem 20 vezes mais carbono negro em suspensão na sua atmosfera do que a Amazônia, com todas as suas queimadas.

"Retirar esse tipo de carbono é bom para o clima e para a saúde das pessoas." O que reforça a importância, diz Artaxo, de que exista vontade política para começar a melhorar o ar dos grandes centros urbanos.

Duas vezes mais rápido - Segundo o engenheiro ambiental Mark Jacobson, da Universidade Stanford (EUA), o controle do carbono negro, em uma década, pode frear o aquecimento global até duas vezes mais rápido do que a redução do gás carbônico.

Mas essa redução, ressalta, será apenas temporária se não vier acompanhada de um corte efetivo nas emissões de CO2. Este, no longo prazo, continua sendo o maior responsável pelo aquecimento global. Mas o carbono negro é o segundo, um pouco à frente do metano.

"A redução da fuligem sozinha pode eliminar um terço do aquecimento global líquido", afirmou Jacobson à Folha. O carbono negro também tem um efeito resfriador, pois ajuda a "semear" nuvens, que refletem a radiação para o espaço.

Em 2007, o pesquisador apresentou um plano ousado ao Congresso dos EUA. Pelas contas do cientista, é teoricamente factível construir e instalar 122 mil turbinas eólicas para movimentar toda a frota veicular do país por eletricidade. O esforço, no entanto, demandaria "apenas" trocar toda a frota americana por veículos elétricos a hidrogênio.

Essa ação, diz Jacobson, reduziria em aproximadamente 7% ao ano o impacto antrópico (causado por atividades humanas) sobre o aquecimento global. O cientista, claro, não calculou custos nem deu prazo para a troca.

No caso brasileiro, diz Artaxo, nem mesmo o carro a álcool está livre de emitir fuligem sufocante. "Toda combustão lança carbono negro no ar. O motor a álcool emite menos. O carro a gasolina, dez vezes mais, e o a diesel, cem vezes mais do que o a gasolina", diz o físico. Valores mais precisos dependem do tipo exato de veículo e o combustível colocado para encher o tanque.

Enquanto os cientistas refinam o impacto global do carbono negro, no Ártico, os dados estão mais consolidados.

Estudo da Nasa publicado em abril, na revista "Nature Geoscience", mostra que o poluente respondeu por 50% do aquecimento entre 1890 e 2007. Nesse período, os termômetros subiram, em média, 1,9ºC naquela região.

Na neve está o outro efeito perverso do carbono negro. A fuligem negra sobre ela também absorve calor, acelerando o derretimento do gelo.

(Fonte: Eduardo Geraque/ Folha Online)

domingo, 26 de abril de 2009

Aquecimento global é fogo

O fogo aquece – e mais do que se imaginava. De acordo com um artigo publicado na edição desta sexta-feira (24) da revista Science, o efeito do fogo nas mudanças climáticas globais é mais profundo do que se acreditava e deve ser encarado com preocupação ainda maior do que a atual.

O artigo aponta o que a ciência sabe e o que desconhece a respeito do impacto do fogo na biodiversidade, clima e reservas de carbono do planeta e destaca que as queimadas ligadas ao desflorestamento são responsáveis por cerca de 20% do aquecimento global promovido pela ação do homem.

“O total pode aumentar em pouco tempo. Está muito claro que o fogo é um catalisador primário das mudanças climáticas globais. O artigo que escrevemos é um chamado à ação para que os cientistas investiguem e avaliem melhor o papel do fogo no sistema terrestre”, disse Thomas Swetnam, da Universidade do Arizona, um dos autores.

O texto é assinado por um grupo internacional de pesquisadores, entre eles Paulo Artaxo, professor titular e chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, coordenador do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) e ex-coordenador da área de geociências da FAPESP.

Os autores apontam que todos os episódios de queimadas e incêndios combinados liberam na atmosfera uma quantidade de dióxido de carbono equivalente à metade de tudo o que deriva da queima de combustíveis fósseis.

Os cientistas alertam que a capacidade do homem de lidar com o fogo pode cair no futuro, à medida que as mudanças climáticas alteram padrões de queimadas e incêndios. O risco, entretanto, é difícil de avaliar, uma vez que os fogos estão ainda precariamente representados em modelos climáticos globais.

Mas eles ressaltam que, na última década, incêndios de grande dimensão e difíceis de controlar ocorreram em todos os continentes em que há vegetação disponível, independentemente dos programas de combate a tais episódios desenvolvidos em diversos países.

“O fogo é obviamente uma das principais respostas às mudanças climáticas, mas ele não é apenas isso, ele retroalimenta o aquecimento, que alimenta mais fogos”, disse Swetnam. A fuligem liberada na atmosfera também contribui para o aquecimento.

Quando a vegetação queima, a quantidade de dióxido de carbono liberado aumenta o aquecimento global. Quanto mais incêndios e queimadas, mais dióxido de carbono é liberado e mais aquecimento é promovido. E, quanto mais elevadas as temperaturas no planeta, maiores são as chances de se ter mais fogo.

Os autores pedem que iniciativas como o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) reconheçam a importância do fogo nas mudanças climáticas e o integrem mais adequadamente em modelos e relatórios futuros.

“O fogo é tão elementar como o ar e a água. Nós vivemos em um planeta de fogo. Somos uma espécie do fogo. Ainda assim, seu estudo tem sido muito fragmentado. Sabemos bastante sobre o ciclo do carbono e do nitrogênio, mas muito pouco sobre o ciclo do fogo”, disse Jennifer Balch, do Centro Nacional para Análises e Sínteses Ecológicas em Santa Bárbara, Estados Unidos.

O artigo Fire in the Earth System, de David Bowman e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org. (Fonte: Agência Fapesp)

domingo, 1 de março de 2009

Lojas farão descarte de lâmpadas fluorescentes

Estabelecimentos comerciais que vendem lâmpadas fluorescentes serão obrigados a ter recipientes para sua coleta, quando descartadas ou inutilizadas. Minuta de decreto com esse objetivo foi enviada pela secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, ao governador Sérgio Cabral. O documento regulamenta a Lei nº 5.131 de 14 de novembro de 2007 que estabelece normas para o descarte desse produto.

Presente em 27% dos lares brasileiros, o uso das lâmpadas fluorescentes reduz cerca de 80% no consumo de energia e auxilia no combate ao aquecimento global. Segundo o Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, do Ministério das Minas e Energia) em sua última pesquisa de Avaliação do Mercado de Eficiência Energética, o país é o 10º maior consumidor mundial do insumo.

Porém, o descarte inadequado das lâmpadas fluorescentes é altamente nocivo para o meio ambiente e para a saúde do ser humano. É considerado resíduo perigoso porque em sua composição, há presença do metal pesado mercúrio, o que exige adequada destinação final. Uma lâmpada é basicamente composta por vidro, pó de fósforo e metais pesados como cádmio, mercúrio e chumbo.

Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM), embora uma lâmpada quebrada libere pequena quantidade de mercúrio, o problema ambiental pode ser gerado pelo efeito acumulativo e persistente do metal pesado proveniente de muitas lâmpadas.

Ao ser rompida, a lâmpada fluorescente emite vapores de mercúrio que são absorvidos por organismos vivos. Além disso, o descarte em aterros faz com que estes resíduos contaminem o solo e mais tarde os cursos d’água.

O Brasil consome 100 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano e apenas 6% passam por algum processo de reciclagem. Os dados são da Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM).

Fonte:Ascom/SEA.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Redução no uso de combustíveis pode frear aquecimento

Uma redução de 20% no uso de combustíveis fósseis até 2020 seria suficiente para conter o aquecimento global e reduzir o aumento da temperatura da Terra para menos de um grau, segundo um estudo.

A estimativa foi feita à Agência Efe pelo próprio autor do relatório, Gary Schaffer, do Departamento de Geofísica da Universidade de Concepción, cidade chilena situada 515 quilômetros ao sul de Santiago.

Segundo Schaffer, que também faz parte do corpo docente do Niels Bohr Institute da Universidade de Copenhague (Dinamarca), caso sejam consumidos os cinco bilhões de toneladas de reservas de carvão nos próximos séculos, a temperatura global aumentará 5 graus em relação ao nível atual.

Com isso, a próxima era do gelo ocorreria dentro de 170 mil anos.

No entanto, se o uso de combustíveis fósseis cair 20% em 2020 e 60% no ano de 2050, tendo como parâmetros os níveis de 1990, a temperatura global aumentaria menos de um grau e a próxima idade do gelo só chegaria dentro de aproximadamente 505 mil anos.

O cientista reiterou que conter o consumo de combustíveis fósseis não só é imprescindível para frear o aquecimento global, mas também para poder contar com eles para aquecer o planeta no futuro e adiar próximas eras de gelo.

Os resultados do estudo serão publicados na quarta-feira (10) na revista científica Geophysical Research Letters. (Fonte: Estadão Online)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Aumento do nível do mar pode ser 25% maior que o esperado, diz estudo

O aquecimento global pode derreter a calota de gelo na Antártida ocidental e causar inundações no litoral da América do Norte e nas nações do Oceano Índico, segundo um artigo publicado pela revista "Science".

Cientistas da Universidade Estadual do Oregon (EUA) descobriram que, se as previsões sobre o derretimento da camada de gelo da Antártida ocidental se confirmarem, o aumento do nível do mar será maior que o esperado.

Segundo pesquisas do grupo liderado pelo geofísico Jerry Mitrovica, pela física Natalya Gómez e pelo geocientista Peter Clark, os oceanos podem subir 25% mais do que o esperado, o que causaria grande impacto em cidades litorâneas como Nova York e Washington.

Até pouco tempo atrás, achava-se que o fim do gelo antártico faria o nível do mar subir cinco metros, disse Mitrovica, diretor do Programa de Evolução de Sistemas da Terra no Instituto Canadense de Pesquisas Avançadas.

Esses cálculos, explicou, foram feitos transformando o volume total da calota de gelo em água e considerando que a água derretida se distribuiria por igual no mundo todo.

No entanto, segundo os pesquisadores, esta é uma estimativa simplista, que não leva em conta outros efeitos fundamentais.

Força gravitacional - Em primeiro lugar, quando uma placa de gelo derrete, perde sua força gravitacional e faz com que a água se afaste.

Sendo assim, quando uma calota de gelo se funde, o volume de água diminui em um raio de 2.000 quilômetros e, consequentemente, aumenta progressivamente nas áreas mais afastadas.

"Se a placa de gelo no oeste antártico derreter, o nível do mar perto da Antártida diminuirá, mas aumentará muito mais do que o esperado no hemisfério Norte, por causa deste efeito gravitacional", explicou o especialista.

O estudo, que será publicado em 6 de fevereiro pela revista 'Science', acrescenta que um dos fatores ignorados nas outras simulações é o buraco que ficará no solo rochoso sobre o qual a placa se sustenta.

Os cientistas dizem que primeiro ele se encherá de água. Mas preveem que, depois que o gelo desaparecer, o buraco diminuirá de tamanho, empurrando parte da água em seu interior de volta para o mar, contribuindo para aumento do nível dos oceanos.

Os autores do artigo dizem ainda que, se desaparecer totalmente, a placa de gelo causará uma mudança no eixo de rotação da Terra.

Deslocamento de águas - Esta mudança provocaria um deslocamento na água dos oceanos Atlântico e Pacífico, do sul para o norte, o que afetaria as áreas da América do Norte e do Oceano Índico meridional.

"O efeito de todos estes processos é que, se a placa de gelo da Antártida ocidental derreter, o aumento no nível do mar em muitas regiões litorâneas será pelo menos 25% maior que o esperado", alertou Mitrovica.

Isto se traduziria em um aumento de seis a sete metros do nível do mar, "uma grande quantidade de água adicional, sobretudo ao redor de áreas urbanas como Washington DC, Nova York e a costa da Califórnia", disse.

A comunidade científica ainda está debatendo que quantidade de gelo desapareceria se a placa ocidental derretesse, mas segundo o cientista, aconteça o que acontecer, "o trabalho comprova que o aumento do nível do mar que se produz em muitas zonas litorâneas povoadas seria muito maior" do que o indicado pelas primeiras estimativas. (Fonte: Folha Online)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Estudo relaciona mudança de hábitos para combate ao aquecimento global

Comer menos carne, limitar as viagens, aceitar ficar com calor durante o verão e com frio durante o inverno: rotinas alternativas também ajudam a lutar contra o aquecimento global, segundo um estudo apresentado na segunda-feira (26) em Bruxelas.

"Modificar os hábitos será complicado", admitiram os especialistas da consultoria McKinsey neste estudo, apresentado na presença do comissário europeu para o Meio Ambiente, Stavros Dimas.

Entretanto, segundo eles, estes pequenos gestos do dia a dia podem permitir evitar rejeitar na atmosfera 3,5 a 5 bilhões de toneladas de gás carbônico daqui a 2030.

O estudo lista 200 ações possíveis para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, entre os quais o CO2, e limitar o aquecimento do planeta a 2ºC em 2030.

"Reduzir o número de viagens de negócios e os deslocamentos privados, trocar o carro pelo trem, aceitar diminuir o ar condicionado ou o aquecedor e limitar o consumo de carne" são algumas opções, segundo os autores do estudo.

Entretanto, a maior parte dos esforços deve se concentrar na eficiência energética nos transportes e na construção, no desenvolvimento de fontes de energia não fósseis, como os biocombustíveis, e no combate ao desmatamento.

"O custo do esforço para o mundo deve ser de 200 a 350 bilhões de euros por ano até 2030, e permitirá evitar rejeitar 38 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera" durante este período, segundo o estudo. (Fonte: Folha Online)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Aquecimento global durará mil anos, diz estudo

O aquecimento global é irreversível e, mesmo se todas as emissões de gases-estufa fossem cortadas a zero, as temperaturas continuariam elevadas por mil anos, causando secas graves em regiões como o Nordeste do Brasil. A conclusão é de um estudo publicado nesta terça-feira (27) por uma das principais cientistas do IPCC, o painel do clima das Nações Unidas.

Escrevendo no periódico "PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA, a climatologista americana Susan Solomon e colegas afirmam que um aquecimento médio de 2ºC da superfície terrestre reduziria as chuvas no inverno em 10% no Nordeste brasileiro e no sul da África, e em 20% na bacia do Mediterrâneo e na Austrália. Esse efeito deve perdurar até depois do ano 3000.

"Para comparação, o "dust bowl" americano esteve associado com reduções médias de chuva de cerca de 10% em um período de 10 a 20 anos", afirmam os cientistas. O "dust bowl" foi uma grande seca que arrasou a agricultura das Pradarias dos Estados Unidos na década de 1930, agravando a crise econômica da época e a Grande Depressão.

O novo estudo usa modelos climáticos para aprofundar previsões feitas pelo IPCC em seu relatório sobre o estado das mudanças climáticas lançado em 2007. Solomon foi uma das coordenadoras do relatório.

Segundo o novo resultado, a mudança climática é "irreversível" por mil anos depois que as emissões cessam porque, apesar de o gás carbônico persistir por apenas um século na atmosfera, o oceano continua reemitindo calor por séculos.

"As pessoas imaginavam que, se nós parássemos de emitir dióxido de carbono, o clima voltaria ao normal em 100 ou 200 anos. Isso não é verdade", disse Solomon, em uma entrevista coletiva. "A mudança climática é lenta, mas irrefreável", afirmou a pesquisadora da Noaa (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera).

As simulações de computador rodadas por Solomon e seus colegas também tentaram estimar o que aconteceria com o nível do mar no fim do século 21 e além. Aqui a divergência com os resultados cautelosos do IPCC é radical: para uma concentração de CO2 na atmosfera de 600 partes por milhão - hoje ela é de 385 partes por milhão -, os oceanos subiriam de 40 centímetros a 1 metro até 2100, continuando a subir depois disso, mesmo sem um grama a mais de gás carbônico na atmosfera após a estabilização. Isso só por expansão térmica, sem contar o efeito do degelo polar, ainda incerto.

Segundo os pesquisadores, a única conclusão possível é a óbvia: cortar mais e mais as emissões. "Taxas de desconto usadas em estimativas econômicas assumem que uma mitigação mais eficiente pode ocorrer em um mundo mais rico, mas ignoram a irreversibilidade mostrada aqui." (Fonte: Folha Online)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Aquecimento global pode extinguir pinguins imperiais

Os maiores pinguins do mundo podem ser levados à extinção ao final deste século devido ao derretimento do gelo Antártico causado pelo aquecimento global, disseram cientistas na segunda-feira (26).

Os pinguins imperiais procriam no mar antártico e mergulham do gelo para o mar em busca de krill, peixes e lulas, de que se alimentam.

Pesquisadores liderados pelos biólogos Stephanie Jenouvrier e Hal Caswell usaram modelos matemáticos para prever como a mudança climática e a resultante perda de gelo afetaria esses animais.

Seus modelos previram uma queda média de 87% da população - dos 3 mil pares atuais para apenas 400 em 2100. Mas alguns modelos chegaram a mostrar um declínio de 95%, colocando as aves em risco de extinção.

"Esse é mais um exemplo de como a mudança climática afeta diversos fatores do habita de animais adaptados para viver em condições extremas e coloca suas populações em risco. É uma situação bastante similar a dos ursos polares do Ártico", disse Caswell.

"Eu espero que as pessoas se sensibilizem pelo efeito do aquecimento global em uma espécie tão carismática e percebam que há consequências ecológicas graves da mudança climática", disse Jenouvrier, cujas descobertas foram publicadas pela revista National Academy of Sciences. (Fonte: Estadão Online)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Interior da Antártida também sofre com aquecimento global, diz estudo

A Antártida costumava ser citada como uma rara exceção ao aquecimento global - o único continente do mundo onde as últimas décadas haviam registrado um resfriamento médio. Essa impressão não passava de equívoco, de acordo com um novo e revelador estudo: a Antártida continental, na verdade, está esquentando no mesmo ritmo que o resto do planeta, ao menos pelo que se pode medir nos últimos 50 anos.

Os dados estão num artigo da edição desta semana da revista científica britânica "Nature". No trabalho, uma equipe americana capitaneada por Eric J. Steig, da Universidade de Washington em Seattle, e Drew T. Shindell, da Nasa e da Universidade de Columbia, parecem ter conseguido superar uma limitação antiga: a falta de dados climáticos do interior do continente antártico. É que a imensa maioria das estações climáticas da Antártida estão no litoral, o que dificulta a obtenção de informações confiáveis sobre o que está acontecendo com o clima das regiões mais próximas do pólo Sul.

"Por outro lado, nos últimos 25 anos, nós temos uma boa quantidade de dados de satélite, mas havia a preocupação de eles não capturarem exatamente as mudanças de temperatura na superfície. O que nós fizemos foi correlacionar os dados de satélite com os das estações em solo, e o que vimos é que há uma excelente concordância entre eles. Ou seja, os dados de satélite são confiáveis", declarou Eric Steig em entrevista coletiva por telefone.

Antes, a corrente predominante entre os climatologistas via um aquecimento considerável na península Antártica (a língua de terra firme e ilhas que o continente estende na direção da América do Sul) e um resfriamento predominante no continente antártico propriamente dito. Parecia que os ventos marítimos estavam levando umidade e calor para península, enquanto o interior da Antártida ficava cada vez mais isolado.

Corrente principal - "No entanto, o que nós vimos agora é que a influência predominante para todo o continente é mesmo o do aumento dos gases-estufa na atmosfera, o que está gerando o aquecimento", afirmou Drew Shindell durante a entrevista coletiva. O efeito é mais pronunciado na Antártica Ocidental, que esquentou 0,5 grau Celsius nos últimos 50 anos - ligeiramente abaixo da média mundial no mesmo período, que foi de 0,6 grau Celsius. No acumulado do último século, no entanto, a Antártica Ocidental ganharia se essa taxa foi constante nas décadas anteriores, já que o total do aquecimento lá seria de 1 grau Celsius contra 0,8 grau Celsius no mundo todo.

Já a Antártica Oriental também esquentou, mas menos, diz Steig. Ele ressalta que as duas regiões do continente são bem diferentes. "É como se a Antártica Ocidental fosse Seattle e a Oriental fosse a Dakota do Norte", diz ele - respectivamente, Seattle, na Costa Oeste dos EUA, é úmida, chuvosa e influenciada pelo mar, enquanto a Dakota do Norte tem terreno mais elevado, seco e continental, isolado do oceano, daí a comparação.

O último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, órgão da ONU) dizia ver sinais claros de aquecimento causado pela ação humana em todos os continentes do mundo, "exceto na Antártida". Já dá para dizer que essa afirmação precisa ser reformulada? Os autores do novo estudo preferem ser cautelosos, já que os dados climáticos da Antártida são relativamente recentes - para ter certeza, o ideal é ter mais do que apenas 50 anos de informações. Mas a probabilidade de que o aquecimento ali também seja obra humana aumenta consideravelmente. (Fonte: Reinaldo José Lopes/ G1)

Geleira peruana desaparece em consequência de aquecimento global

A geleira Quilca, localizada a 5.250 m de altitude na região de Puno, sudeste do Peru, derreteu completamente por causa do aquecimento global, informou o Instituto Nacional de Recursos Naturais (Inrena) peruano. A geleira fica próxima à fronteira com a Bolívia.

"O desaparecimento da geleira Quilca foi gradual, e é consequência das mudanças climáticas e do aquecimento que acontecem em todo o mundo", explicou Marco Zapata, diretor da Unidade de Glaciologia do Inrena. "O aquecimento global repercute de maneira especial nas geleiras do Peru, que estão entre as mais afetadas".

Fotografias divulgadas no domingo (21) pela agência estatal peruana mostram que a neve que cobria a geleira Quilca derreteu por completo, deixando a montanha coberta apenas por uma camada de terra.

É a segunda geleira que desaparece no Peru desde 2005, por motivos atribuídos ao aquecimento global. De acordo com a Inrena, cerca de 150 picos nevados do país correm o risco de perder suas geleiras.

Há 19 cordilheiras nevadas espalhadas pelo território peruano e no sudeste andino. (Fonte: Folha Online)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Indução Humana

Um grupo de 3.146 cientistas concordou, em estudo publicado na segunda-feira (19) na revista Eos, Transactions, American Geophysical Union, que há mais de 200 anos a atividade humana tem contribuído para o aumento na temperatura média global.

O estudo envolveu um inquérito conduzido no ano passado por Peter Doran, professor associado de Ciências da Terra e do Ambiente da Universidade de Illinois, em Chicago, Estados Unidos, em parceria com sua ex-aluna Maggie Kendall Zimmerman, cujos resultados apontam consenso sobre as mudanças climáticas e suas prováveis causas.

Os pesquisadores receberam um convite por correio eletrônico para participar da sondagem realizada pelo site questionpro.com, composta de nove questões curtas.

Doran e Zimmerman contataram inicialmente mais de 10,2 mil especialistas internacionais, listados em 2007 pelo Instituto Geológico Norte-Americano. Apenas os convidados participaram e seus computadores foram registrados para impedir a repetição da votação.

Duas das questões foram consideradas fundamentais: se a temperatura global média tem aumentado em comparação com níveis anteriores a 1800 e se a atividade humana tem sido um fator significativo na mudança da temperatura média global.

Do total, cerca de 90% dos cientistas que responderam ao questionário concordaram com a primeira questão e 82% com a segunda. O maior consenso foi identificado com a análise detalhada das respostas dos climatologistas, sendo que 97% concordaram que os seres humanos têm um papel importante nas causas do aquecimento global.

Por outro lado, os geólogos que trabalham com petróleo e os meteorologistas estiveram entre os mais céticos, uma vez que apenas 47% e 64%, respectivamente, disseram acreditar no envolvimento humano.

“As respostas dos geólogos do petróleo não foram muito surpreendentes, mas a dos meteorologistas nos chamou a atenção. A maioria dos meteorologistas entende o clima, mas muitos estudam o fenômeno das mudanças climáticas há pouco tempo”, disse Doran.

Doran não foi surpreendido, no entanto, pela quase unanimidade de climatologistas. “Eles são os que mais estudam e publicam sobre a pesquisa do clima, o que nos mostra que, quanto mais se sabe sobre o clima, maior a probabilidade de se acreditar na contribuição da humanidade para o aquecimento global”, apontou. (Fonte: Agência Fapesp)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Geleiras desaparecerão até a metade do século, diz estudo

A maior parte das geleiras do planeta está derretendo tão rápido que muitas vão desaparecer até a metade século, alertou um especialista. As informações são do 'The Guardian'.

Estatísticas do World Glacier Monitoring Service (WGMS) mostram que, embora as taxas de derretimento tenham caído em significativamente em 2007, com relação aos níveis do ano anterior, ainda assim a perda de gelo foi a terceira pior já registrada.

Acredita-se que a massa total, do que sobrou das geleiras, está agora em seu nível mais baixo em 'milhares de anos'.

De acordo com Wilfried Haeberli, diretor do WGMS, as pequenas geleiras, que constituem a maior parte desse fenômeno natural, não vão se recuperar.

A advertência trará preocupação àqueles que dizem que o derretimento das geleiras é uma das maiores ameaças da mudança climática, porque aumenta o risco de ocorrerem avalanches de rochas e solo, liberadas a partir do gelo, ameaçando a subsistência de mais de 2 bi de pessoas que dependem do derretimento da água para alimentar seus rios no verão. O processo aumentaria, também, o nível dos oceanos.

"Se o clima não for resfriado rapidamente, elas irão diminuir e desintegrar-se. Isto significa que muitas serão perdidas nas próximas décadas - 10, 20, 30, 40 anos", disse Haeberli.

"Se você for realista com relação ao cenário do aquecimento global, então não há esperança para os pequenos glaciares - nos Pirineus, na África, nos Andes e Montanhas Rochosas. As grandes geleiras no Alasca e no Himalaia vão demorar mais tempo, mas mesmo aquelas grandes geleiras vão mudar completamente - muitas serão bem menores e outras se desintegrarão, formando lagos, em muitos casos", alertou Haeberli.

O WGMS, cujos parceiros incluem as agências das Nações Unidas e organismos científicos, recolhe dados anuais de até 100 geleiras ao redor do mundo, incluindo 30 geleiras 'referência', em nove diferentes cadeias montanhosas de quatro continentes. Existem dados de até três décadas atrás.

Estatísticas dos anos de 2005 e 2006 mostram a maior perda de gelo desde que os registros começaram e, com base em reconstituições históricas, acredita-se que tenha sido o pior ano em 5 mil anos. (Fonte: Portal Terra)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Cultivo que reflete radiação solar pode reduzir aquecimento

A cuidadosa seleção dos cultivos que refletem maior radiação solar poderia reduzir a temperatura do planeta em 0,1 grau, o equivalente a 20% do aquecimento global produzido desde a Revolução Industrial.

Atualmente, o crescimento das colheitas já atua como um resfriador do planeta, pois os cultivos devolvem ao espaço, por meio do reflexo, uma maior quantidade de radiação solar (e, portanto, calor) que a vegetação natural à qual substitui.

Cientistas da Universidade de Bristol (Reino Unido) propõem na revista Current Biology um método para diminuir a temperatura planetária: o cultivo de espécies que mais raios solares reflitam.

Quanto maior for a radiação que refletem, maior o esfriamento do planeta.

Segundo cálculos realizados por meio de um modelo climático global, com a seleção de cultivos as temperaturas poderiam diminuir em até em um grau centígrado na América do Norte e nas latitudes médias da Eurásia.

As remodelações genéticas que aumentassem a capacidade de refletir radiação solar dos vegetais poderiam fazer que a diminuição da temperatura planetária fosse inclusive maior.

Não se trata de mudar as espécies já cultivadas por outras diferentes, explica a equipe de pesquisa liderada por Andy Ridgewell, mas de escolher a variedade de vegetal com maior capacidade para refletir a radiação.

As variedades de uma mesma espécie podem apresentar diferente capacidade de refletir dependendo das diferentes propriedades da superfície de suas folhas e da forma como estas folhas estão dispostas.

A adoção desta medida, ao contrário do que acontece com os biocombustíveis, não incidiria na diminuição da produção de alimentos e seus resultados seriam rápidos e com alguns custos muito baixos.

Ridgewell afirmou que, ao não acontecer uma diminuição das emissões de CO2 na atmosfera - principal causa do aquecimento global -, esta alternativa é uma "forma realista" de controlar a mudança climática.

"Nossa proposta não dá uma solução total para a mudança climática, mas pode reduzir o impacto de ondas de calor e secas na agricultura e na saúde da América do Norte e das latitudes médias da Eurásia", declarou o cientista.

Os agricultores já realizam uma seleção de espécies de cultivos para conseguirem diversos objetivos como, por exemplo, aumentar a produção de alimentos ou fomentar as colheitas de trigo mais apropriadas para fazer pão ou as mais úteis para o estabelecimento.

Os cientistas afirmam que a implantação desta técnica poderia se estender para todo o planeta, pois a agricultura é uma indústria global.

O efeito de colocá-la em prática, segundo a equipe, seria equivalente a evitar as consequências da emissão à atmosfera de 195 bilhões de toneladas de CO2. (Fonte: Estadão Online)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mundo precisa de 'emissões negativas' de carbono após 2050

A fim de evitar os efeitos mais catastróficos da mudança climática, as emissões mundiais de carbono terá de cair a quase zero até 2050 e "ficar negativas" depois disso, informa relatório divulgado pelo Instituto Worldwatch.

Trata-se de um corte mais profundo que o preconizado pela maioria dos ambientalistas e planejadores públicos, incluindo o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que defende um corte de 80% nas emissões americanas até meados do século.

A limitação das emissões de carbono tem por objetivo impedir que as temperaturas médias globais subam além de 2º C acima das registradas antes da Revolução Industrial. Mas um dos autores do relatório State of the World 2009 (O Estado do Mundo em 2009) considera até mesmo esse limite muito perigoso.

"O aquecimento global precisa ser reduzido dos níveis máximos para 1º C o quanto antes", disse o coautor William Hare. "Nesse nível, poderemos ver alguns riscos desaparecerem".

A temperatura média global já subiu 0,8º C desde 1850. Portanto, cortes drásticos nas emissões dos gases que aquecem o clima são necessários, diz hare, que trabalha no Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, na Alemanha.

Hare disse que as emissões de gases do efeito estufa pela humanidade teriam de atingir o nível máximo em 2020 e cair 85% abaixo dos níveis de 1900 por volta de 2050, e continuar caindo depois disso. Ele disse que as emissões de dióxido de carbono precisarão "ficar negativas", com mais da substância sendo absorvida que emitida, na segunda metade do século.

O fardo de cortar as emissões deve recair mais sobre os países ricos, disse Hare, com as nações industrializadas reduzindo suas emissões em 90% até 2050, permitindo que a economia dos países em desenvolvimento cresça e desenvolvendo tecnologias limpas. (Fonte: Estadão Online)

Hillary: Obama vai liderar resposta mundial ao aquecimento global

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, vai liderar uma "resposta mundial e coordenada" para combater o aquecimento global, declarou na terça-feira (13) a futura secretária de Estado americana, Hillary Clinton, diante do Congresso.

"O presidente eleito Obama afirmou que os Estados Unidos devem estar à frente do desenvolvimento e da elaboração dessa resposta", frisou a senadora de 61 anos.

Hillary Clinton lembrou ao senador John Kerry, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, que Obama "foi um dos primeiros dirigentes a admitir que o aquecimento global constitui uma grave ameaça para a segurança" do mundo.

A adversária de Obama durante as primárias democratas lembrou que essa ameaça pode "servir de pretexto para novas guerras, por recursos como comida, água e terras cultiváveis. (Fonte: Yahoo!)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Estudo quantifica emissões de gases pelo uso do Google

Duas buscas no Google produzem a mesma quantidade de gases do efeito estufa que ferver água em uma chaleira elétrica, segundo um acadêmico da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

A conclusão faz parte de um estudo do físico americano Alex Wissner-Gross,que realizou pesquisas sobre o impacto ambiental do uso do Google.

Cientistas em todo o mundo estão preocupados com o impacto ambiental do uso de equipamentos eletrônicos.

Em um comunicado, o Google disse estar considerando a questão "seriamente", acrescentando que "a energia usada a cada pesquisa no Google é mínima".

Uma pesquisa recente estimou que o setor global de tecnologia da informação gera tantos gases do efeito estufa quanto todas as companhias aéreas juntas.

O estudo de Wissner-Gross afirma que uma busca típica no Google em um computador de mesa gera cerca de 7 gramas de dióxido de carbono.

Para ferver água em uma chaleira elétrica, são emitidos cerca de 14 gramas de dióxido de carbono, ou o equivalente a duas buscas no Google, segundo o físico americano.

Eletricidade - Wissner-Gross argumenta que essas emissões de carbono derivam da eletricidade usada pelo terminal de computador e pela energia consumida pelos grandes centros de dados operados pelo Google em todo o mundo.

Apesar de o sistema de buscas americano ser reconhecido pelos seus resultados rápidos, Wissner-Gross diz que ele somente consegue isso porque usa vários bancos de dados ao mesmo tempo, produzindo mais dióxido de carbono que alguns de seus competidores na internet.

Segundo o acadêmico, para cada segundo conectados à internet, geramos 0,02 grama de emissões de carbono.

Isoladamente, esse número pode não parecer muito, mas a cada dia são feitas cerca de 200 milhões de buscas na internet.

O Google disse que à medida que os computadores passam a representar uma parte maior nas vidas das pessoas, estas também consomem cada vez mais energia. Mas, em seu comunicado, a empresa diz estar considerando esse impacto com seriedade.

A empresa disse ter desenvolvido "os centros de dados mais eficientes do mundo em termos do uso de energia".

"De fato, no tempo que leva para fazer uma busca no Google, seu computador pessoal vai usar mais energia do que nós usamos para responder à sua questão", afirma o comunicado. (Fonte: Estadão Online)

Oceanos absorvem menos CO2, dizem cientistas

Cientistas emitiram um novo alerta sobre o aquecimento global e alterações climáticas depois que descobriram uma diminuição na quantidade de emissões de carbono absorvidos pelo Mar do Japão. As informações são do The Guardian.

Os resultados da pesquisas foram publicados na revista Geophysical Research Letters. Os oceanos do mundo absorvem cerca de 10t de dióxido de carbono por ano e um ligeiro enfraquecimento neste processo natural deixaria mais CO2 na atmosfera.

Kitack Lee, professor da Universidade de Ciência e Tecnologia, na cidade de Pohang, Coréia do Sul, diz que essas condições mais quentes podem perturbar o processo conhecido como "ventilação" - a maneira que o oceano arrasta o CO2 absorvido pela superfície para as profundezas.

O cientista adverte que o efeito provavelmente não se limita ao mar do Japão e também poderia afetar absorção de CO2 em outros oceanos.

Lee acrescenta: "Em outras palavras, o aumento da temperatura atmosférica, devido ao aquecimento global pode influenciar profundamente na ventilação do oceano, diminuindo assim absorção de CO2."

Lee e sua colega Geun-Ha Park utilizaram um navio russo para coletar amostras de 24 locais em todo o Mar do Japão.

Eles compararam o CO2 dissolvido na água com amostras similares recolhidas em 1992 e 1999. Os resultados mostraram a quantidade de CO2 absorvido durante o ano de 1999 a 2007 foi menos de metade do nível registrado no período de 1992 a 1999. (Fonte: Portal Terra)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Menos comida com aquecimento

O acelerado aumento nas temperaturas afetará seriamente a agricultura no planeta, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais. Se nada for feito, até o fim do século pelo menos metade da população mundial terá que enfrentar uma drástica falta de alimentos.

A afirmação é de um estudo publicado na edição de 9 de janeiro da revista Science por David Battisti, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Washington, e Rosamond Naylor, diretor do Programa de Segurança Alimentar e Ambiental da Universidade Stanford, ambos nos Estados Unidos.

O impacto do aquecimento global na agricultura deverá afetar particularmente as regiões mais pobres e que apresentam as maiores taxas de crescimento populacional.

“Os efeitos apenas da temperatura na produção global de alimentos serão enormes, isso sem levar em conta as fontes de água impactadas pelo aquecimento”, disse Battisti.

“Precisamos investir na adaptação. Está claro que essa é a direção em que estamos indo, em termos de temperatura, e serão necessárias décadas para desenvolver novas variedades de cultivos que possam enfrentar melhor um clima mais quente”, disse Naylor.

Ao combinar observações diretas com dados de 23 modelos climáticos globais – produzidos no âmbito do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) –, Battisti e Naylor concluíram que há uma probabilidade superior a 90% de que em 2100 as menores temperaturas durante os períodos de cultivo nas regiões tropicais e subtropicais serão maiores do que qualquer temperatura registrada até hoje nas mesmas áreas.

Segundo o estudo, nos trópicos as temperaturas mais altas deverão reduzir a produção de grãos primários, como milho e arroz, de 20% a 40%. Mas o aquecimento deverá prejudicar também a umidade do solo, o que levaria a uma diminuição ainda maior na produção.

“Temos que repensar os sistemas agrícolas como um todo e não apenas buscar novas variedades, além de reconhecer que muitos deixarão de ser agricultores e abandonarão as terras onde vivem e trabalham”, disse Naylor.

Atualmente, cerca de 3 bilhões de pessoas vivem nas regiões tropicais e subtropicais, um número que deverá dobrar até o fim do século.

O artigo Historical warnings of future food insecurity with unprecedented seasonal heat, de David Battisti e Rosamond Naylor, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org. (Fonte: Agência Fapesp)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Europa congela, mas mundo está ficando mais quente, diz ONU

Pode estar bastante frio na Europa agora, mas o mundo fica mais quente e o aquecimento global continua sendo um perigo, disse a agência da ONU para o clima nesta sexta-feira (9).

"O secretário-geral da WMO (sigla da agência em inglês), Michel Jarraud, afirmou que não podemos confundir o tempo que estamos vendo agora com o aquecimento global", disse Gaelle Sevenier, porta-voz da WMO, em um comunicado à imprensa.

As temperaturas atingiram recordes de baixa na Alemanha e Marselha, que agora deveria estar ensolarada, teve fortes nevascas na quinta-feira. A Suíça também enfrenta temperaturas negativas pelo oitavo dia consecutivo.

Os estudos do clima desde 1850 mostram um aumento inegável na temperatura, disse Sevenier.

"O senhor Jarraud ressaltou que não pode haver dúvida de que a tendência ainda é o aquecimento e que a temperatura da superfície da Terra aumentou três quartos de grau desde o meio do século dezenove."

A maioria dos cientistas acredita que o aquecimento global está causando tempos extremos, o que ocasiona furacões, enchentes e secas que destroem e matam.

Embora 2008 tenha sido mais frio do que o ano anterior, é o décimo ano mais quente desde que a medição começou, segundo Sevenier.

O porta-voz afirmou que o frio na Europa se deve ao fenômeno "La Niña", no qual a água da superfície do oceano Atlântico fica mais fria do que o comum devido a complexos processos meteorológicos que influenciam o clima no oceano Atlântico.

La Nina - que significa "menina" em espanhol - é um fenômeno periódico que se alterna com o El Niño (menino), quando a água fica mais quente que o normal. Ambos podem afetar o clima no mundo. (Fonte: Estadão Online)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Aquecimento terá efeito devastador sobre agricultura

O rápido aumento das temperaturas no mundo todo terá, provavelmente, um grave efeito sobre as colheitas nas zonas tropicais e subtropicais no fim deste século, prevê um estudo publicado nesta quinta-feira (8) pela revista Science.

Como resultado, se não houver uma adaptação, metade do mundo enfrentará uma grande escassez de alimentos, advertiu o estudo.

Para pior, a população dessas regiões (entre 35 graus de latitudes norte e sul) é uma das mais pobres e com maior crescimento demográfico.

Calcula-se que cerca de 3 bilhões de pessoas vivam nessa área, que vai do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina e o sul do Brasil; do norte da Índia e o sul da China ao sul da Austrália e toda África.

"As pressões do aumento de temperaturas sobre a produção mundial de alimentos serão enormes e isso sem levar em conta o abastecimento de água", assinalou David Battisti, professor de Ciências Atmosféricas da Universidade de Washington.

Segundo Battisti, serão necessárias muitas décadas para se desenvolver variedades de colheitas que suportem melhor os aumentos de temperatura.

Battisti e Rosamond Naylor, diretor do Programa de Segurança Alimentaria da Universidade de Stanford (Califórnia), tiraram esta previsão de 23 modelos climáticos.

Destes modelos, estabeleceram a existência de mais de 90% de probabilidade de que até 2100 as temperaturas nos trópicos e subtrópicos serão as mais altas registradas na história.

Os cientistas determinaram também os períodos históricos de maior insegurança alimentar e estabeleceram que é provável que esses períodos se tornem mais frequentes.

Entre os episódios estudados, estão um na França, em 2003, e na Ucrânia, em 1972.

Na então república soviética, uma onda de calor sem precedentes arrasou as colheitas de trigo e causou uma alteração do mercado mundial desse grão que durou dois anos.

"Quando olhamos esses exemplos históricos vimos que sempre houve formas de resolver o problema. Sempre havia um lugar onde encontrar o alimento", disse Naylor.

"No entanto, no futuro, não haverá nenhum lugar onde possamos achar esses alimentos a menos que reconsideremos as fontes de provisão", previu.

Além disso, os problemas do clima não se limitarão às zonas tropicais, e como exemplo os cientistas, além do caso ucraniano, citam as temperaturas recorde registradas na Europa em 2003 e que causaram a morte de cerca de 52 mil pessoas.

Segundo eles indicam, as temperaturas que prevaleceram nesse verão de 2003 na França serão normais até 2100 e reduzirão a provisão de alimentos primários como milho e trigo entre 20% e 40%.

As maiores temperaturas, segundo eles, também alterarão de forma radical a umidade do solo o que causará uma maior redução das colheitas. (Fonte: Estadão Online)